“Caça à criança”, de Jacques Prévert

Tradução de Felipe Castelo Branco

O poema, de autoria do francês Jacques Prévert, foi escrito em 1934 e publicado pela primeira vez em livro no ano de 1949.

Caça à criança

Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
Sobre a ilha vêem-se pássaros a voar
Em torno da ilha há o mar
Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
Esses berros, de onde vem?

Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
É a matilha dos homens de bem
Que caçam a criança também

Ele disse estou de saco cheio das casas para delinquentes
E os guardas dando-lhe com as chaves quebraram-lhe os dentes
e o deixaram estirado sobre o cimento
Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
Agora a salvo
como um animal de caça
ele galopa na noite que passa
e todos galopam atrás dele que é o alvo
Os policiais os turistas os aposentados e os artistas

Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
É a matilha dos homens de bem
que caçam a criança também

Para caçar a criança não é preciso autorização
Todos os bravos homens lá estão
O que é isso que nada na escuridão
Qual é esse relâmpago esse trovão
É uma criança que foge em ação
E sobre ele atiram com um fuzil no paredão
Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
Todos esses senhores na costa
De mãos vazias e vermelhos de raiva
Bandido! Trapaceiro! Ladrão! Patife!
Você terá de voltar! Você terá de voltar!
Sobre a ilha vêem-se pássaros a voar
Em torno da ilha há o mar.

Chasse à l’enfant

Bandit ! Voyou ! Voleur ! Chenapan !
Au-dessus de l’île on voit des oiseaux
Tout autour de l’île il y a de l’eau
Bandit ! Voyou ! Voleur ! Chenapan !
Qu’est-ce que c’est que ces hurlements

Bandit ! Voyou ! Voyou ! Chenapan !
C’est la meute des honnêtes gens
Qui fait la chasse à l’enfant

Il avait dit j’en ai assez de la maison de redressement
Et les gardiens à coup de clefs lui avaient brisé les dents
Et puis ils l’avaient laissé étendu sur le ciment
Bandit ! Voyou ! Voleur ! Chenapan !
Maintenant il s’est sauvé
Et comme une bête traquée
Il galope dans la nuit
Et tous galopent après lui
Les gendarmes les touristes les rentiers les artistes

Bandit ! Voyou ! Voleur ! Chenapan !
C’est la meute des honnêtes gens
Qui fait la chasse à l’enfant

Pour chasser l’enfant, pas besoin de permis
Tous les braves gens s’y sont mis
Qu’est-ce qui nage dans la nuit
Quels sont ces éclairs ces bruits
C’est un enfant qui s’enfuit
On tire sur lui à coups de fusil
Bandit ! Voyou ! Voleur ! Chenapan !
Tous ces messieurs sur le rivage
Sont bredouilles et verts de rage
Bandit ! Voyou ! Voleur ! Chenapan !
Rejoindras-tu le continent rejoindras-tu le continent !
Au-dessus de l’île on voit des oiseaux
Tout autour de l’île il y a de l’eau.