Kanye West está fazendo uma performance neste momento?

“Now I embody every characteristic of the egotistic” — Kanye West, “POWER”

Kanye West está fazendo uma performance neste momento?

É a “teoria da conspiração” defendida na matéria do site Highsnobiety, ao meramente reunir os tweets do usuário @Snowcone. Ele prestou atenção em alguns tweets importantes do Kanye West que passaram despercebidos (ao contrário de outros, mais famosos, talvez propositadamente, falando sobre Donald Trump). Neles se levanta a hipótese – extremamente provável – de tudo isso não passar de uma espécie de performance artística inspirada em Joseph Beuys, David Hammons e Andy Kaufman.

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Segundo a teoria, West teria se inspirado nestes “performers” da década de 1970 para fazer uma performance pública, porém oculta, onde ele executa uma série de ações em público com o intuito de parecer louco ou extremamente polêmico, mas que na verdade tem o caráter de uma “pegadinha” (usando um nome mais vulgar para “performance”).

Andy Kaufman é o personagem principal de O Mundo de Andy, de Milos Forman, filme com Jim Carrey sobre o qual fala Jim & Andy, documentário recente da Netflix. Andy Kaufman performava em público diversas ações perturbadoras. Arrumava brigas e tomava socos para, no final, ficar claro que a briga era armada, ou se comportava de forma insuportavelmente misógina ou perturbava a todos, sempre como se fosse uma brincadeira que confundia verdade e mentira. O filme, e em especial o documentário, são ótimos para se entender do que se tratam essas pegadinhas.

West parece estar fazendo isso, aos moldes de outras grandes celebridades da música, como Prince e em especial Michael Jackson, que fabricava, no começo da carreira solo dos anos 1980, factoides sobre si mesmo, no intuito de chamar a atenção sobre seu trabalho (o chamado “golpe publicitário). Com o passar do tempo isso acabou saindo do controle…

Segundo a teoria (o primeiro link deixa tudo bastante claro), no dia 22 de abril West postou 4 imagens, duas referentes ao artista conceitual negro David Hammons e duas referentes a Joseph Beuys, o herdeiro alemão de Duchamp, que advogava que “todo o ser humano é um artista”. Mais tarde, posta um “moodboard” onde aparecem livros e um desenho fazendo clara referência a Andy Kaufman. A isto se soma a participação de um outro usuário do twitter, um amigo de Kanye West, que respondeu esses tweets de West, primeiro com o emoji do naipe de espadas (uma referência a Hammons) e depois com estes emojis e texto:

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Os dois lutadores são referência a Kaufman e The Prestige talvez seja uma referência ao filme O Grande Truque de Christopher e Jonathan Nolan (o último é criador da série Westworld, que lida com as mesmas questões), cujo tema é a manipulação do público pela arte. O cowboy é referência ao chapéu que Beuys usava.

A isto se somam interessantes tweets de West falando sobre apropriação artística e originalidade. Eles estão presentes no primeiro link.

Estes são os dados da teoria de @Snowcone. Vamos ver como ele os analisa.

Beuys realizou uma performance, na década de 1970, onde ficou preso durante três dias em uma cela junto de um coiote. O coiote representaria o espírito selvagem americano e Beuys, para sobreviver, deveria domar esse espírito. A ideia de West poderia ser, então, ficar próximo ao coiote, o Trumpismo americano, o cowboy selvagem e fascista, como uma forma exótica de combatê-lo ou domá-lo.

Algumas fotos da performance:

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Podemos adicionar a essa análise a visão idealista que Beuys tinha sobre arte. Para ele, a arte era política e dizer que “todos são artistas” apontava também para uma politização da própria vida – quando ela perde seu limite em relação a arte. Não saber o que é invenção e o que é real é um modo de participar da construção criativa da própria realidade.

Em outras palavras, o mecanismo que torna a arte política é a confusão entre ficção e realidade. Por isso Beuys é um herdeiro direto de Duchamp.

Já David Hammons usava o símbolo do naipe de espadas em suas obras, fazendo referência ao termo “spade”, que era um xingamento racista comum nos EUA. Ele claramente tinha o intuito não-literal de usar o termo para apontar ironicamente o racismo americano. Seria uma referência de West ao que ele quer fazer usando o famoso boné “Make America Great Again”, pintando o cabelo de loiro e tirando fotos com Trump?

Aqui uma obra de Hammons:

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E uma frase de Kaufman:

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