Edição atual

CHAMADA ABERTA (N.11)

 

EDIÇÃO 11: TEMAS MARGINAIS
Seguindo a teórica Barbara Herrnstein Smith em Contingencies of Value, a (re)produção discursiva dos cânones artísticos ocidentais passa pela repetição de um “punhado de formas, obras e figuras clássicas recorrentemente invocadas justamente nesses discursos – por exemplo: escultura, tragédia, sinfonia; Homero, Rembrandt, Mozart; Rei Lear, Don Giovanni e, para indicar que também existem obras-primas modernas, Guernica)” — mas não apenas isso: há também uma iteração que afunila outros elementos do mundo da arte em direção ao mesmo, ao familiar para “audiências canônicas experimentando essas obras sob condições canônicas”, algo que se soma “à exclusão implícita de audiências não-canônicas (ou seja, não-ocidentais, não-acadêmicas, não-adultas ou não-pertencentes à alta cultura) e condições de produção e recepção não-canônicas (por exemplo: populares, tribais ou mediadas pela massa)” de modo que “não surpreende em nada que ‘experiências essencialmente estéticas’ sempre estejam em conformidade com aquelas normalmente tidas por pessoas ocidentais ou educadas no Ocidente, consumidoras da alta cultura, e que ‘propriedades essencialmente estéticas’ e ‘valores essencialmente estéticos’ sempre acabem sendo encontrados nos velhos lugares e obras-primas de sempre”.

Assim, o que pretendemos conjurar nessa edição n.09 é aquilo que escapa a esse retorno ao de sempre, aquilo que fica nas margens do cânone, ou o que habita o território amaldiçoado de uma teratologia qualquer — o que quer que possa retornar como sintoma ou assombração a partir da dimensão espectral onde encontramos o que não é imaginado positivamente (ou o que sequer é imaginado) conforme o estado atual de nossos imaginários acadêmicos. Gravuras alquímicas, quadrinhos surrealistas, sinfonias compostas por máquinas, pinturas feitas em manicômios, experiências místicas, brincadeiras de criança — queremos o estético e o artístico onde dizem que eles não deveriam estar. Há elementos estéticos em uma profecia? Decifrar símbolos herméticos é como explorar o simbolismo em um filme? Androides sonham com musas elétricas? A arte pode ser completamente transposta para mundos virtuais? As palavras e imagens veiculadas na arte ainda guardam poderes mágicos? Ficções científicas possuem utilidade quando o futuro é cancelado? Ainda devemos investir na produção poética de mitos?

Temas marginais podem ainda nos indicar algo fundamental em uma época de expectativas decrescentes — podem fazer parte de uma nova cartografia, de um outro modo de construção de instrumentos de navegação no mundo, que permitam não apenas a desconstrução, mas também os processos de construção de mundos e futuros inesperados. Passar pelo estranho para retornar ao ponto inicial a partir de outra perspectiva — assim podemos olhar criticamente para o que identificamos com o que somos com a distância permitida pela modificação de nossa sensibilidade, de nosso imaginário e de nosso aparato conceitual — fugindo do vício vanguardista da contestação pela contestação (pela distinção social), que preserva o mesmo em nome da sobrevivência de sua identidade antagônica.

O prazo de envio, para a edição n.11, é 31 de maio de 2019; o artigo deve ser enviado para o e-mail: arteedeselegancia@gmail.com, na formatação indicada em <<Submissões>>.