Muito antes de todas as crises aparentemente insuperáveis da arte, Hegel iniciou seu curso de estética dizendo “A arte é, para nós, coisa do passado”. A! é um projeto que está disposto a investigar o paradeiro dessa frase nos dias de hoje. Está situada no ponto final do desenrolar de uma longa história, aflita com o “ataque do presente contra o resto do tempo”, dedicada a saber o que ficou para trás e o que teremos adiante. Mas é principalmente um espaço de convergência que pretende pensar a arte contemporânea e as artes na contemporaneidade, assim como, indissociavelmente, fazer uma reflexão sobre sua própria época. A! não compreende a sucessão de conflitos do modernismo como algo muito distante dos problemas-chave de hoje. Vemos em Marcel Duchamp, o “engenheiro do tempo perdido”, um satélite constantemente em órbita. Assim como o livro total de Mallarmé, o cinema de Eisenstein, Vertov e tantos demais. Estamos numa nova era? Pois, como disse Musil, “elas começam a todo instante”.

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A! é uma revista-projeto, interdisciplinar, que busca congregar esforços provenientes de diversas áreas em torno de dois eixos: arte contemporânea e arte na contemporaneidade. Na ramificação acadêmica ela está aberta a contribuições inéditas em formas de artigos e resenhas, independentemente de área de pesquisa, instituição, ou titulação. Aceitamos trabalhos nos idiomas português, inglês, francês e espanhol.

A! não é apenas uma revista acadêmica. É um projeto mais abrangente, variado, que visa trabalhar questões sobre arte e contemporaneidade. Publicamos também estudos mais flexíveis, não submetidos à ordenação acadêmica, sob a categoria “Ensaios”; assim como entrevistas e traduções. Organizamos eventos, seminários, exposições e debates.

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CHAMADAS ABERTAS (N. 06 + N.07)

EDIÇÃO 06: ARTE E MERCADORIA
Com a entrega do Turner prize ao coletivo de arquitetos ASSEMBLE, em 2015, procurou-se fugir da normatização da falta de critérios – do critério do não-critério da arte – reconhecendo no trabalho do coletivo inglês aquilo que se pode contingentemente chamar de arte. A indefinição do trabalho premiado – entre a arte, a arquitetura, a mercadoria e o projeto social – demostra que a não-fixação da arte não a priva de possíveis definições temporárias. Se é possível reconhecer um novo critério para a arte, tal critério não mais estabelece uma disciplina, tampouco um campo, mas, ao recusar o lugar representacional reservado à experiência estética, adota perspectiva ontológica. Perspectiva essa que se volta à técnica e aos mais diversos modos de produção, circulação, enunciação e recepção, enquanto lugares possíveis para a experiência artística. Assim, refutando a própria fixação, a arte estabelece relações variadas com o mercado que a veicula. O poeta baudelairiano, o entediado flâneur, vai à feira. Entretanto, como escreveu Benjamin, não vai apenas para observar, mas para encontrar um comprador. Na década de 1970, Warhol assina seus trabalhos: “Andy Warhol Enterprises”. Logo, propomos pensar a experiência estética além da representação, porém próxima da experiência metamórfica que tende a anular a distinção entre formas, espécies e códigos sígnicos. Desejamos pensar até que ponto a forma-mercadoria não é a forma de interação predominante no mundo atual, suas implicações para a estética, a ética e a política e, sobretudo, a possibilidade de metamorfoseá-la.
Na 6ª edição, a Revista A! convida os interessados a debater as questões acima levantadas em suas muitas variantes: a obra de arte como mercadoria; a mercadoria como obra de arte; arte e mercadoria; arte e mercado; autonomia da experiência estética; arte e estética; arte sem estética e estética sem arte; arte e técnica; arte, ética e política; estética relacional; a sublimidade triunfando sobre a beleza; virada ontológica na arte e na crítica de arte; estando a chamada também aberta a textos críticos, que toquem nessas questões a partir de exames de exposições, trajetórias individuais e curadorias.

EDIÇÃO 07: TEMA LIVRE
No caso da edição n.07 o tema é livre, estamos abertos para avaliação de qualquer artigo que esteja dentro do campo das artes.

O articulista deve enviar o trabalho até 12 de junho de 2017, no caso da ed. n.06, e até 30 de agosto de 2017, no caso da ed. n.07, para o e-mail: arteedeselegancia@gmail.com, a partir da formatação indicada em <<Submissões>>.